Cerca de 30% da energia consumida num edifício pode ser desperdiçada pelas janelas, se estas não forem eficientes do ponto de vista térmico.
Janelas eficientes são sinónimo de conservação de energia, elevados padrões de conforto térmico e acústico e de melhores condições de saúde e bem-estar.

 

CONFORTO TÉRMICO

As janelas, enquanto elemento da envolvente de um edifício que separa o espaço interior útil do ambiente exterior (geralmente a temperaturas diferentes), estão sujeitas a diferentes modos de transmissão de calor da zona quente para a zona fria, nomeadamente:

  • Condução térmica, que traduz a capacidade que a janela detém em transmitir o calor do interior para o exterior de uma habitação e que se pode traduzir num parâmetro designado por coeficiente de transmissão térmica (Uw). Quanto menor for valor deste parâmetro, menores serão as perdas térmicas e melhor será a capacidade de isolamento da janela;
  • Radiação, que resulta da relação entre a energia da radiação solar que passa para o interior do espaço e a energia exterior que incide na janela, traduzida pelo fator solar do vidro (g). Quanto menor for o valor “g”, melhor será a proteção contra o sobreaquecimento.

Os níveis de desempenho das janelas variam consoante a região do país.
Portugal está dividido em três zonas climáticas de inverno e de verão, para as quais estão definidos requisitos de coeficiente de transmissão térmica (Uw; W/m².K) e de fator solar (g) que são aplicáveis quer na construção de novos edifícios, quer em intervenções em edifícios existentes (por exemplo, na substituição de janelas).


As janelas também são determinantes para a renovação do ar (ventilação) dos espaços que servem.

A ventilação é a substituição do ar interior por ar exterior, preferencialmente de uma forma controlada, sendo que a legislação em vigor obriga a que, pelo menos, 40% do ar seja renovado a cada hora para promover melhores condições de salubridade das habitações.

 

ORIENTAÇÃO

A orientação das janelas em relação ao sol permite definir algumas condições técnicas para que não haja perdas excessivas no inverno, nem sobreaquecimento no verão.

► No caso de janelas viradas a norte (sem exposição solar) e para minimizar as perdas térmicas para o exterior, é recomendável a instalação de janelas com corte térmico ou com baixo valor de coeficiente de transmissão térmica (Uw) e com vidros incolores sem necessidade de requisitos especiais de baixa emissividade.

► No caso de janelas viradas a sul, com forte exposição solar, deverá optar-se por janelas com vidros baixo emissivos combinados com proteção solar (persianas, portadas, cortinas, etc) ou com vidros com fator solar do vidro (gv) mais reduzido. De notar que, no inverno, as janelas nesta orientação podem ajudar a ter melhor conforto térmico mediante os ganhos térmicos no espaço resultantes de radiação solar incidente.

 

TIPOLOGIAS

As janelas podem ser de correr, de batente, oscilo-batente, basculantes, projetantes, fixas, entre outras.

Deve ser escolhida a opção mais funcional para a utilização e estética pretendida, considerando que, em termos energéticos e regra geral, as janelas de correr poderão ter um desempenho inferior por terem maior permeabilidade ao ar.

 

VIDRO

A maior parte dos edifícios existentes e mais antigos ainda têm janelas com vidros simples (com menor desempenho), o que representa um enorme potencial de redução dos consumos energéticos e melhoria do conforto térmico e acústico das habitações.

A utilização de vidros duplos nas janelas é atualmente a solução mais adotada em novas janelas. Os vidros duplos surgiram para incrementar o isolamento térmico da janela, sendo constituídos por duas chapas de vidro separadas por um espaço de ar ou de gás nobre (p. ex. árgon, kripton, xénon).

A espessura do espaço de ar pode variar, sendo comum a utilização de uma caixa de ar de 16 mm. Os vidros triplos, à semelhança dos duplos, surgiram para incrementar ainda mais o isolamento térmico e acústico das janelas.

Para melhorar a segurança (contra incêndios e arrombamento) e prevenir a queda de fragmentos pode optar por vidros laminados (com filme plástico entre vidros) e/ou por vidros temperados (com mais resistência mecânica e que se fragmentam em caso de rotura). Estas soluções também permitem melhorar o isolamento acústico.

Nos casos em que se pretende privilegiar a proteção das crianças, recomenda-se que as janelas sejam dotadas de:

  • a) vidros duplos temperados de segurança, para que, em caso de quebra, as crianças não se magoem;
  • b) Inversão do sentido de abertura das janelas oscilo-batentes para que intuitivamente as crianças não as consigam abrir.

A utilização de vidros coloridos, de películas ou filmes de controlo solar e a incorporação de gases nobres na câmara de ar (p.e. árgon 90%), permitem obter uma melhoria do desempenho térmico e controlo das situações de sobreaquecimento dos espaços.

Os espaçadores para vidros duplos ou triplos são o elemento estrutural de ligação que garante a estabilidade e resistência física do vidro. Os mais frequentes são de alumínio, que apresentam uma boa capacidade mecânica mas conduzem mais rapidamente o calor ou o frio, comprometendo o desempenho térmico. Existe outro metal que pode ser utilizado com melhor desempenho térmico: aço inoxidável.

A opção por materiais não metais (não condutores térmicos) para o espaçador, como os termoplásticos, fibra de vidro, silicone, espumas ou sistemas híbridos, promove uma maior eficiência energética do vidro duplo ou triplo como um todo.

 

VENTILAÇÃO

A renovação natural do ar dos edifícios de habitação existentes é frequentemente realizada por abertura de janelas e pelas infiltrações de ar não controladas através de elementos da envolvente como portas, janelas e caixas de estore.

Para maximizar o bem-estar dos ocupantes dos espaços, a ventilação deverá ser controlada, garantido renovação do ar interior com ar novo limpo (vindo do exterior). As janelas podem promover uma correta ventilação da habitação, desde que não permitam infiltrações de ar que causem desconforto.

Na substituição de janelas antigas por janelas eficientes é fundamental assegurar que estas garantem condições de ventilação permanente e controlada.

As janelas têm classificação de permeabilidade ao ar (de 1 a 4) que mede a quantidade de ar que passa pelas frinchas das janelas quando fechadas. Uma janela com Classe 1 é mais permeável e com Classe 4 menos permeável ao ar. Recomenda-se a instalação de dispositivos preferencialmente autorreguláveis (grelhas de admissão) para promover a ventilação controlada nas janelas de Classes 3 ou 4.

A ventilação assegura o bom funcionamento de aparelhos de combustão (lareiras, recuperadores de calor, etc) e a remoção de fumo resultante de um fogo acidental (desenfumagem).

A instalação de janelas com grelhas autorreguláveis para controlo da ventilação e renovação do ar interior permite melhorar o controlo da humidade, diluir e remover os poluentes e odores, bem como minimizar a proliferação de fungos e bolores.

Uma grelha autorregulável funciona sobre o princípio de variação da secção de passagem do ar em função da variação de pressão, podendo ser instaladas nos perfis das janelas, nas paredes e caixas de estore.

 

ATENUAÇÃO ACÚSTICA

A poluição sonora pode causar perturbar o sono, o descanso, o relaxamento e a concentração, com efeitos sobre a saúde e bem-estar. A sua prevenção pode passar pela redução da transmissão de ruído provenientes de fontes no exterior.

A transmissão acústica divide-se em:

  • Transmissão Direta – efetuada através do elemento de separação;
  • Transmissão Marginal – que se dá por outros elementos construtivos ou de suporte;
  • Transmissão Parasita – promovida através de aberturas nos elementos.

O nível de isolamento acústico de uma janela (que reflete a capacidade que esta tem em resistir às fontes de ruído procedentes do exterior) pode ser medido através do índice de redução sonora (Rw) expresso em decibéis (dB). Quanto maior for o valor, melhor será o respetivo desempenho acústico, isto é, maior será a redução dos ruídos exteriores para o interior da sua casa.

A instalação de vidros duplos ou triplos e com vidros de espessuras diferentes são essenciais para garantir uma adequada atenuação acústica.

O bem-estar acústico também pode ser promovido pela aplicação de juntas de estanquidade entre as paredes e o caixilho, de forma a e eliminar a transmissão marginal de ruído. Outra solução é a instalação de materiais absorventes acústicos (esferovite, lã de rocha, etc.) nas caixas de estore para redução da transmissão parasita de ruído.

 

VEDAÇÃO

As janelas têm uma classificação de estanquidade à água (de Classe 1 a Classe 9) que representa a capacidade da janela para impedir a infiltração de água exterior para o interior.

Na instalação deve ser assegurada a correta estanquidade à água para que não haja infiltrações para o interior. Deve ser garantido o adequado isolamento das ligações entre os perfilados, as ferragens e as juntas de estanquidade.

A aplicação de goteiras que assegurem a drenagem da água acumulada nos caixilhos irá ter impacto positivo no estado de conservação da janela.

A vedação nas janelas de batente, composta por borracha (EPDM), PVC ou mástique, deve conferir estanquidade aos caixilhos e, sempre que possível, ser reforçada com vedações duplas ou triplas. O material selecionado deve apresentar ainda flexibilidade e resistência à radiação ultravioleta.

As janelas de correr são vedadas com pelúcia para possibilitar o deslizamento das folhas, podendo não ser suficientes para conferir a estanquidade total ao caixilho.

 

FERRAGENS

As acessórios representam uma parcela relevante do custo das janelas e estão sujeitos a uma utilização intensa. Por este motivo, estes componentes são mais suscetíveis ao desgaste, pelo que é fundamental uma correta seleção da solução de ferragem e a sua manutenção.

Os principais materiais de produção das ferragens são o alumínio, o latão e o aço inox, sendo a sua seleção dependente do tipo de material utilizado na caixilharia e da intensidade de utilização.

A seleção das ferragens deve ser função do tipo de aberturas das janelas: de correr, de batente, oscilo-batente, basculante, projetante, ou outro tipo. Quando a segurança anti-intrusão for uma preocupação (por exemplo se habitar numa moradia ou piso térreo) deverão ser usadas ferragens reforçadas com caixilhos e vidros de segurança (laminados e temperados).

 

PROTEÇÃO SOLAR

As proteções solares promovem o controlo de calor e de luz disponível na habitação.
No inverno deve-se garantir que as proteções possam ser abertas para maximizar a entrada de ganhos solares e no verão que as mesmas consigam efetuar o controlo da entrada excessiva de radiação solar, melhorando assim o conforto e evitando o sobreaquecimento dos espaços.

Os sistemas disponíveis podem dividir-se em proteções solares exteriores, interiores e integradas (entre vidros ou entre janelas). As proteções mais utilizadas em Portugal são as persianas ou estores e as portadas exteriores. As portadas interiores são mais comuns em edifícios antigos.

As proteções exteriores têm um melhor desempenho térmico face às soluções com proteções pelo interior, pois reduzem a radiação solar que incide sobre o vidro e cujo calor é transmitido para o interior do espaço.

 

 

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